Leituras de Junho


Um Gato Chamado Borges - Vilto Reis
Estreia de Vilto na ficção de forma longa, Borges é um romance policial/fantástico/something, que me convenceu muito pouco. Texto aqui.

Micrômegas - Voltaire
Imagino que, quando de seu lançamento, Micrômegas fazia muito mais sentido por propor de forma lúdica e fantasiosa a exploração de conceitos existencialistas e filosóficos (aparentemente se trata de um livro infantil), mas ainda que discussões como 'o que estamos fazendo aqui?' sejam perpetuamente relevantes, o tratamento que Voltaire dá a seus questionamentos soa bobo quando olhado em nossos tempos. Ou simplesmente alguém que já teve algum contato com filosofia simplesmente não tenha nada de relevante para encontrar ali.

Joe Speeboat - Tommy Wieringa
Daquele tipo de coisa que só as pessoas que moram em lugares estranhos nos confins da Europa (ou se inspiram neles) conseguem criar. Queria ver uma boa adaptação cinematográfico disso aqui, as imagens do Wieringa são fantásticas. Texto aqui.

A Metamorfose - Franz Kafka
Dívida absurda finalmente paga. Seja uma parábola sobre a situação do trabalhador ou uma alegoria da depressão, coitado de Gregor Samsa.

Afinação da arte de chutar tampinhas - João Antônio
Recorte compacto de uma existência que, privada de seu querido futebol, encontra brilho em Noel Rosa, Aldous Huxley, e sobretudo no ato de chutar tampinhas largadas na rua para se encantar com seu voo. Preciso de mais João Antônio com urgência.

Afagos - José Rufino
As microficções compiladas por José Rufino neste Afagos não podem ser categorizadas como outra coisa que não horror; sobrenatural, corporal, ou simplesmente aquele que assombra a existência. São fragmentos de história contados num só fôlego e que giram em torno de todas as negações e dificuldades que se apresentam no cotidiano, geralmente numa embalagem que disfarça o conteúdo nefasto. Começo e fim de cada conto dependem do leitor e com o quê ele entra na leitura.